Em Portugal, o trabalhador desconta sempre 11% do salário bruto para a Segurança Social — independentemente do valor do salário.
Código dos Regimes Contributivos do Sistema Previdencial de Segurança Social, art.º 53.º
O que é um recibo de vencimento em Portugal?
O recibo de vencimento é o documento mensal que prova que foste pago. Em Portugal, o empregador tem obrigação legal de o entregar. Chama-se 'recibo de vencimento' ou 'recibo de salário' — a palavra 'nómina' é usada em Espanha, mas muitos portugueses conhecem o termo.

Como se chama em Portugal
Em Portugal, o documento chama-se oficialmente 'recibo de vencimento'. Podes ouvi-lo chamar também 'recibo de salário' ou simplesmente 'recibo'. A palavra 'nómina' vem do espanhol — em Portugal não é o termo técnico correto.
É obrigatório por lei
O Código do Trabalho obriga o empregador a entregar o recibo até ao dia do pagamento do salário. Podes recebê-lo em papel ou formato digital. Se o teu empregador não o entregar, podes exigi-lo formalmente.
O que contém o recibo
O recibo mostra: o teu nome e número de contribuinte, o nome e NIF da empresa, o período a que se refere, o salário bruto, todos os descontos discriminados e o valor líquido a receber. Cada campo tem um significado específico.
Diferença para o recibo verde
O recibo de vencimento é para trabalhadores por conta de outrem (com contrato de trabalho). O recibo verde é para trabalhadores independentes (freelancers). São documentos completamente diferentes, com descontos e regras distintas.
Salário bruto vs. salário líquido: qual é a diferença?
O salário bruto é o que o teu contrato diz que ganhas. O salário líquido é o que realmente cai na tua conta bancária. A diferença são os descontos obrigatórios — IRS e Segurança Social.
Salário bruto
É o valor acordado no teu contrato de trabalho. É a partir deste valor que são calculados todos os descontos. Em 2026, o salário mínimo nacional em Portugal é de 870 € mensais.
Salário líquido
É o valor que recebes depois de todos os descontos. Pensa nele como o 'dinheiro que é mesmo teu'. Num salário bruto de 1.200 €, o líquido típico fica entre 980 € e 1.020 €, dependendo da situação familiar.
Porque existe diferença?
Dois descontos obrigatórios explicam a diferença: a Segurança Social (11% fixo) e o IRS (taxa variável conforme o salário). O empregador retém estes valores e entrega-os diretamente ao Estado em teu nome.
Uma forma simples de pensar nisso
Imagina que o teu salário bruto é uma pizza inteira. O Estado fica logo com algumas fatias (IRS e Segurança Social). O que sobra é a tua pizza — o salário líquido. Quanto maior o salário, mais fatias o Estado retém.
O recibo de vencimento é o documento que o teu empregador tem obrigação legal de te entregar todos os meses. Mostra quanto ganhas (salário bruto), quanto é descontado (IRS e Segurança Social) e quanto recebes no final (salário líquido). Em Portugal, é o equivalente à 'nómina' espanhola ou ao 'holerite' brasileiro. Recibo de vencimento
Como ler o teu recibo campo a campo
Um recibo de vencimento português tem sempre as mesmas secções principais. Aqui está o que cada campo significa em linguagem simples.
Identificação (cabeçalho)
No topo aparece o teu nome, número de identificação fiscal (NIF), o nome da empresa e o NIF do empregador. Verifica sempre se o teu nome e NIF estão corretos — erros aqui podem causar problemas com a Autoridade Tributária (AT).
Período de referência
Indica o mês e ano a que o salário se refere. Exemplo: 'maio de 2026'. Este campo é importante para confirmar que estás a receber o salário do mês certo.
Remuneração base
É o teu salário fixo mensal — o valor no teu contrato. É a partir daqui que tudo é calculado. Abaixo deste campo podem aparecer outros complementos como subsídios ou prémios.
Abonos (o que recebes)
A coluna de abonos lista tudo o que o empregador te paga: salário base, subsídio de alimentação, subsídio de férias (quando aplicável), horas extra, prémios. O total dos abonos é o teu salário bruto total.
Descontos (o que é retido)
A coluna de descontos mostra o que é retirado do teu salário: a contribuição para a Segurança Social (11%) e a retenção na fonte do IRS. Por vezes aparecem outros descontos como sindicato ou seguros de saúde da empresa.
Valor líquido a receber
No fundo do recibo aparece o total dos abonos menos o total dos descontos. Este é o valor que o empregador transfere para a tua conta bancária. Confirma sempre que este valor coincide com o que recebes.
Descontos obrigatórios: IRS e Segurança Social
Dois descontos são sempre obrigatórios em Portugal para trabalhadores por conta de outrem. Vê quanto é descontado e porquê.
Como é distribuído o teu salário bruto em Portugal
Fonte: Autoridade Tributária e Aduaneira / Instituto da Segurança Social (exemplo com retenção IRS típica para salário mediano)
klaro.legal
Segurança Social: 11% fixo
Todos os trabalhadores por conta de outrem descontam 11% do salário bruto para a Segurança Social. Este desconto dá-te acesso a subsídio de desemprego, baixa médica, pensão de reforma e outras prestações. Exemplo: com salário bruto de 1.200 €, desconta 132 € por mês.
O empregador também contribui
Para além do teu desconto de 11%, o teu empregador paga 23,75% do teu salário bruto diretamente à Segurança Social. Este valor não aparece no teu recibo, mas é um custo real da empresa com o teu emprego.
Retenção na fonte do IRS
O IRS não tem taxa fixa — depende do teu salário bruto e da tua situação familiar (solteiro/casado, número de dependentes). O empregador retém uma percentagem do teu salário e entrega à AT. No final do ano, fazes a declaração do IRS e podes receber reembolso ou pagar a diferença.
Como saber a tua taxa de retenção
A AT publica todos os anos as tabelas de retenção na fonte. A tua taxa depende do escalão de rendimento e da tua situação pessoal. Podes consultar as tabelas em vigor no Portal das Finanças (portaldasfinancas.gov.pt).
A declaração anual do IRS
Cada ano, entre abril e junho, fazes a declaração do IRS. Se retiveram mais do que o devido, recebes reembolso. Se retiveram menos, pagas a diferença. A retenção mensal é uma estimativa — a declaração anual acerta as contas.
Como saber a tua taxa de retenção Cada ano, entre abril e junho, fazes a declaração do IRS. Se retiveram mais do que o devido, recebes reembolso. Se retiveram menos, pagas a diferença. A retenção mensal é uma estimativa — a declaração anual acerta as contas.
Subsídios e complementos no teu recibo
Para além do salário base, podem aparecer outros valores no teu recibo. Alguns são obrigatórios por lei portuguesa, outros dependem do contrato ou setor.
Subsídio de alimentação
A maioria dos trabalhadores tem direito a subsídio de alimentação. Em 2026, está isento de IRS e Segurança Social até 9,60 € por dia útil (em cartão refeição) ou até 6,00 € por dia útil (em dinheiro). Valores acima destes limites são tributados normalmente.
Subsídio de férias
Por lei, tens direito a subsídio de férias equivalente a um mês de salário base (art.º 237.º do Código do Trabalho). É habitualmente pago antes das férias de verão, normalmente em junho. Aparece no recibo do mês em que é pago.
Subsídio de Natal
Também equivale a um mês de salário base e é obrigatório por lei (art.º 263.º do Código do Trabalho). É pago em dezembro. Alguns empregadores pagam-no em duodécimos (frações mensais ao longo do ano) — nesse caso aparece todos os meses no recibo.
Horas extra
Se trabalhas horas extra, têm de aparecer no recibo com a respetiva majoração. As primeiras horas extra têm um acréscimo mínimo de 25%, as seguintes de 37,5% e as realizadas em dias de descanso ou feriados têm majoração de 50%.
Prémios e comissões
Prémios de desempenho, comissões de vendas ou outros complementos variáveis também aparecem no recibo. Estes valores são tributados normalmente (IRS e Segurança Social), tal como o salário base.